#73 - TENTANTES | Mariana Rios e Dra. Rebeca Gerhardt
“Eu sempre falo que os nossos ovários nunca ouviram a queima dos sutiãs, né?”
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[Música]
O nosso objetivo com mil e uma tretas
sempre foi criar um diálogo honesto
sobre a maternidade, mesmo sabendo que
essa etapa da vida pode ter múltiplas
possibilidades dentro da realidade de
cada mulher. E nessa nossa quinta
temporada, a ideia é mergulhar fundo em
todas as fases, desde antes da concepção
até chegar no ninho vazio quando os
filhos saem de casa. Dessa forma, nada
mais justo do que ter um episódio
dedicado às tentantes, quando depois de
anos e anos protegendo para não
engravidar, a gente diz sim à
maternidade, achando que basta querer
para acontecer. E não, muitas vezes não
é assim. A gravidez nem sempre acontece
no tempo e nem como a gente gostaria.
Nem sempre é natural. O processo pode
ser longo, desafiador, pode vir
acompanhado de frustração, angústias e
ansiedade. Por isso que nesse episódio
nós decidimos falar sobre esse tema que
muitas vezes é silenciado e vivido de
forma muito solitária por muitas
mulheres, que é o de ser uma tentante.
Eu sou a Júlia e sou a mãe da Cora. E eu
sou a Ta, mãe do Francisco e da Teresa.
E esse podcast é coisa de
mãe. E para bater esse papo, a gente
recebe a atriz, escritora, empresária,
que tem compartilhado nas redes sociais
a sua vulnerabilidade durante seu
processo de tentar engravidar. Mariana
Rils e a médica ginecologista,
especialista em reprodução assistida que
acompanha diversas tentantes, a Dra.
Rebeca Gerhard. Falei certo? Muito
bem-vinda.
Obrigada pela presença e a nossa
novidade, né, Marida? Nossa novidade. A
gente quer dar boas-vindas também pra
nossa plateia 1 tretas que está recheada
de tentantes e mães com boas histórias
dessa fase da vida para contar pra
gente. Aliás, vocês todas estão
convidadas a sentar na nossa roda. É só
clicar no link aqui na descrição e se
cadastrar. Quem sabe em breve vocês
também não estão aqui com a gente. Vamos
começar. Bora começar. Vamos. Uh.
Ô Mari, eu acho que eu vou começar logo
por você, que a gente quer você aqui há
tanto tempo. Ai gente, a gente tá
ensaiando, né? São tantos depoimentos
importantes que você vem dando
publicamente, falando sobre coisas que
ninguém fala, abrindo seu coração, suas
dores de, né, indo até lugares que é
difícil, né, Marida, a gente vê, enfim,
as pessoas compartilhando e eu acho tão
importante, tão, tão a cara do que a
gente faz aqui, que você já devia ter
vindo faz tempo, mas que bom que a nossa
hora certa na hora certa, né?
acontece. Se não deu certo antes, é
porque o momento ideal é o de hoje, o de
agora. Eu estou muito feliz, obrigada
pelo convite e tô feliz em estar aqui
com vocês. Vamos hablar. Vamos hablar.
Eu acho que a gente pode começar do
começo, né, da de quando você
decidiu ser mãe? Em algum momento você
você já teve um positivo, né, na sua
vida? Ele foi programado? Ele foi, acho
que a gente pode voltar lá para para
onde você se sentiu confortável de
começar também, né? Sim. Vamos voltar
aos 5 anos de idade. Quando é, você
sempre quis ser mãe, a velha e boa
pergunta, né? Tipo, você sempre teve,
né? Esso. Sim,
sempre. Engraçado, porque eu sempre fui
uma menina lá na minha infância que
soube o que queria na vida. Então, eh,
eu sempre soube que em algum momento eu
me mudaria de
arachá atrás do meu sonho, que era o de
ser artista, de ser
reconhecida, eh de passear por esses
universos onde eu passeio hoje como
atuação, a música, eh, apresentar, ainda
não sabia que seria uma escritora.
Então, eu sempre soube que eh a minha
vida seria voltada a uma
dedicação à minha
independência financeira e emocional.
Isso desde
criança, que essa busca existiria e
paralelo a isso, o sonho de ter uma
família. Então, eu cresci com os meus
pais muito presentes, uma família eh
muito, apesar de várias coisas que
aconteceram, várias perdas, como
acontece na maioria das famílias e os
problemas que a gente tem, eh, nós
sempre fomos muito unidos e muito
felizes no nosso caminho, na nas nossas
decisões. E eu sempre tive o apoio dos
meus pais para escolher o caminho que eu
gostaria de traçar.
Só que nós mulheres, a nós somos
condicionadas a ter um tipo de
pensamento e alinhamento quanto ao nosso
futuro, que na maioria das
vezes eh você precisa se fazer
profissionalmente, você precisa cuidar
para não ter filhos
até você chegar no no lugar da sua
profissão, de você ser independente eh
financeiramente, de você ter uma uma
posição, eh, com uma base sólida. E nós
somos condicionadas a isso. E ninguém
ensina pra gente como cuidar para quando
quisermos ter filho, quando quisermos
formar essa família. Como é que a gente
faz? Não. Então, a primeira coisa
é se previna. A gente nem pensa nisso
antes, né? Planejamento familiar. Você
pense não planeje, porque isso não faz
parte. Quando você tiver a sua carreira
consolidada, aí sim. E eu me coloquei
nesse lugar e fui nesse embalo. Primeiro
eu vou fazer a minha carreira. Só que
nós todas aqui sabemos que é uma coisa
sem fim. A gente nunca acha a hora para
planejar. Porque a partir do momento que
a mulher foi pro mercado de trabalho e
conseguiu essa sua independência, né,
onde não é mais o homem que sai para a
caça, né, a mulher ela sai à caça todos
os dias também, a mulher é é tudo
dividido dentro de casa. A maioria das
famílias são assim, né? Não existe mais
a a mulher, lógico que existe ainda, mas
hoje a gente tá num outro momento. Eh, a
mulher dentro de casa cuidando da
família, cuidando dos filhos e o homem
eh sai para trabalhar e traz o sustento
dessa família. Então, hoje as coisas
mudaram e com essa mudança precisa ser
falado que esse planejamento familiar
ele tem que acontecer desde Uhum. lá
lá atrás.
os nosos
ovários e as limitações, nossas
limitações humanas, biológicas não
mudaram, né? Não acompanharam, né? É
isso. Eu sempre falo que os nossos
ovários nunca ouviram a queima dos
sutiãs, né? É exatamente isso. Então a
gente se conquistou um espaço e é por
que que hoje em dia você vê muito mais
dificuldade das mulheres em engravidar
porque elas estão tendo filho mais
tarde, né? que antigamente as nossas
mães, nossas avós com 18 anos, elas já
às vezes até tinham já uma família.
Enfim, eh, eu sempre tive esse desejo,
mas eu sempre coloquei a minha carreira
em primeiro lugar. Isso é um fato.
Quando eu e sempre fui muito planejada,
então, antes de de engravidar e trazer
ao público, né, trazer para todo mundo
que eu tinha perdido, que eu tinha
engravidado e logo depois tinha sofrido
um aborto espontâneo, eu nunca tinha
antes engravidado. Então, como eu sempre
fui muito planejadinha e e é aí que que
vem o problema, porque o que que a gente
pensa? Quando eu parar de tomar o
remédio, eu vou engravidar, vou
engravidar. É, é o que a Taila falou na
cabeça, né? uma vida no começo do
episódio, é uma vida inteira prevenindo.
A gente ouve falar muito mais quando
jovem de pílula do dia seguinte, de como
prevenir, nã, achando que você vai
tropeçar e engravidar para quando você
de fato decidir, né, escolher ser mãe,
agora acho que quero começar a pensar
nisso, você entende que tá longe de ser
uma conta simples, tá longe de basta só
querer, né? Tá longe de ser fácil, tá
longe de ser fácil, né? Quando um casal
considerado saudável e não apresenta
nenhum tipo de fertilidade, tem a chance
de aproximadamente
17% de engravidar em cada ciclo fértil
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