CATIMBÓ JUREMA
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Você já ouviu falar sobre catimbó
Jurema? Não. Mas Jurema, tenho certeza
que você já tá cansado de escutar. Nesse
vídeo vamos falar sobre as diversas
interpretações sobre o termo jurema,
sobre o catimbó jurema e a jurema
sagrada, a religião dos nossos antigos
indígenas tupis que pode ser considerada
a tataravó da Umbanda. É aulão de novo.
Bora pro vídeo.
[Música]
Um salve com muita alegria, família Mã
de boa. Neste momento eu peço a todos os
orixás e guias, a todas as forças da
Jurema, que derram bção e seu aché sobre
você, de forma que todo mal que esteja
com você, que seja quebrado e caia por
terra. Que durante todo o tempo da nossa
reunião virtual, que você receba as
energias para restaurar o seu equilíbrio
e a sua felicidade, galera. E se você
ainda não tá inscrito no canal, clica no
botão vermelho aqui embaixo, né? E ativa
o sininho, gente. Se inscreve no canal
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novos vídeos. São no mínimo quatro
vídeos por semana. E olha que tem shorts
ainda, tá? Procura os nossos shorts aqui
no YouTube também. Pagando dívida hoje
acerto de contas, né? Vídeo sobre
catimbó jurema. Catimbó jurema é uma
religião que pode ser chamado de catimbó
jurema, jurema sagrada, culto da jurema
ou até mesmo culto dos mestres da
jurema. É uma religião que é semelhante
à nossa religião de Umbanda, mas que
chegou, ó, muito antes. Só para você ter
uma ideia, as raízes do que cultuamos
como jurema sagrada hoje, ela elas
existem muito antes da chegada dos
portugueses aqui no Brasil. Mas você
conhece a Jurema Sagrada? Conhece essa
religião? E catimbó? Você sabe o que
significa? Já conheceu algum mestre
juremeiro? Quero saber, né, aqui nos
comentários tudo que você sabe até para
aumentar o nosso próprio conhecimento,
gente. E outra coisa, né? Saiba que eu e
a equipe estamos lendo tudo e eu estou
dando like pessoalmente aí no seu
comentário. Pessoal, é verdade mesmo. A
sua contribuição dos comentários,
principalmente para esse vídeo, é muito
importante. Até porque não dá para falar
tudo sobre uma religião tão grande, tão
antiga, como é o Catimbójurema em apenas
um vídeo. Só para você ter uma ideia, eu
tô aqui há 12 anos falando de Umbanda e
o assunto não esgota. Vamos lá. Eu vou
explorar os temas principais e você
coloca aí o seu adendo, coloca o seu
entendimento, coloca o seu comentário
para enriquecer aqui o nosso vídeo. Eu
acho que para começar bem esse vídeo,
nós temos que entender as diversas
interpretações desta palavrinha jurema.
Jurema, né? Acho que acho que a primeira
e mais importante definição é que Jurema
é uma árvore típica da cainga do
Nordeste brasileiro. É uma árvore que
pode chegar até 7 m de altura e a sua
casca é áspera e pode conter,
principalmente na nas partes mais novas
do tronco, conter espinhos. E existem
três qualidades desta árvore, né? A
jurema preta, a jurema vermelha e a
jurema branca. A gente tem que pensar
que os indígenas do Nordeste, que são
muitas tribos, tá? Mas só para citar
três aqui, vamos falar dos chocó, dos
Cariri e dos Funiô. Consideram essa
árvore sagrada há séculos, pois eles
entendem que a árvore da Jurema é um
portal de conexão entre o mundo material
e o mundo espiritual. Da casca e das
folhas da jurema, fazemos uma bebida
enteógena. Quando eu falo
é uma bebida que causa torpor, que faz
você entrar para dentro de si mesmo, que
faz você conseguir se conectar com o seu
interior e até despertar trans. E vamos
lá, pessoal. Existem relatos escritos de
portugueses e aventureiros que chegaram
no Brasil no primeiro século, né, entre
1500 e 1600, né, e que relatavam tudo,
né, porque desde os índios da costa até
os índios do interior do continente, os
índios que estavam mais para dentro da
mata, todos eles faziam, cada um fazia a
sua versão desse vinho de jurema, né,
que é feito com as cascas, que é feito
com as folhas da Jurema. E desde 1580,
mais ou menos meados de 1580, nós temos
relatos sobre não só eles observando os
índios tomando, como também os próprios
e exploradores consumindo e citando
esses relatos de torpor, de sono, de
transe. Só pra gente ter uma ideia que
se isso já existir em 1580, olha quanto
tempo isso, antes disso, isso já
existia. Então, até aqui nós podemos
falar que a jurema é uma árvore e também
é uma manifestação religiosa indígena,
que essa essa árvore ela é além de
servir com as folhas e com as cascas,
né, ela também gera essa bebida para
quem existir essa conexão espiritual.
Então também é uma religião. Então até
aqui é uma religião e é uma árvore
também. Mas jurema não é só isso. Nós
nós na Umbanda conhecemos a cabocla
jurema, né? E acabou que a Jurema tem
uma importância fundamental dentro da
religião da do catimbó jurema e da
jurema sagrada, né? E além disso, esse
termo jurema também pode se designar uma
cidade espiritual e que pode ser chamado
de jurema ou jurem. E é interessante
porque os indígenas eles usavam essa
bebida, esse vinho da Jurema, né, para
se comunicar com os espíritos da
natureza e pode ser espíritos de outros
indígenas que haviam vivido na Terra e
desencarnaram. E também pode ser
espíritos da natureza em geral,
espíritos que nunca viveram na Terra.
Por isso falamos que as entidades que se
manifestam na Jurema são encantados.
E é interessante, né, que nestas nessas
manifestações religiosas podia haver a
incorporação ou eles podiam usar o
maracá. Maracá, aquela como que se fosse
um chucalho de mão que o índio usa, né?
E aquilo devidamente consagrado, o índio
toca perto da orelha para ouvir os
espíritos se comunicando com ele. E
muitos falam que o chucalho é a voz da
Jurema. E todas essas práticas são
conhecidas hoje em dia como práticas de
pagelança ou de chamanismo. Bom, com a
chegada dos portugueses também chega a
Igreja Católica, chega o Catolicismo que
tenta, né, catequisar os nativos à
força, o que felizmente não aconteceu. O
que felizmente não aconteceu, o índio no
início concordou, mas depois resistiu,
né? Tanto que nós temos um vídeo aqui no
canal chamado santidade. Eh, esses
vídeos que resistiram à catequização ou
quiseram se livrar dessa dessa
catequisação católica, eles criaram uma
religião chamada santidade. Primeira
religião sincrética. Nós temos esse
vídeo aqui, ó. Tô deixando o card aqui
em cima. Pode clicar ele, esse vídeo, se
você clicar agora, o vídeo só começa
depois do encerramento desse aqui. Mas
voltando, essa religião da santidade
cria o primeiro sincretismo entre
religião puramente indígena e religião
católica. Ainda não existia outras
influências, mas sim, essa e tudo isso
vai acabar influenciando muito as
práticas indígenas e claro o catimbó
jurema. Passa-se o tempo, né? E não só
essa coisa católica, que na realidade é
um catolicismo popular, né, gente? Não é
um catolicismo ditado pela igreja, é um
catolicismo popular. Essa coisa de você
cultuar santos, né, de acreditar em
Deus, né, em Jesus, é uma coisa que vai
entrando na Jurema, mas a partir dos
anos de 1600, a magia europeia,
principalmente a magia e bruxaria
ibérica, também começa a ser absorvido
pelo pelo culto do catimbó jurema. e
também as práticas dos africanos, tanto
do povo banto quanto do povo iorubá e
também do povo Fon, que no Brasil é
conhecido como nação Geg. Então vamos
lá. A religião jurema começa com os
indígenas nas matas mais distantes,
absorve fundamentos do catolicismo
popular do Nordeste e já aparece dessa
forma, né, indígena misturado
indigenismo e catolicismo, como um
catimbó jurem, né, já nos anos de 1600
nos sertões do Nordeste, normalmente em
pedras que eles consideravam sagradas,
né, ou debaixo de árvores de jurema. Não
era uma coisa próximo às vilas ou
próximo às cidades, ainda era uma coisa
muito ligado à natureza e também vai
sendo influenciada por essa coisa da
magia europeia, da dessa principalmente
feitiçaria e bruxaria ibérica. Quando eu
falo Ibérica, eu tô falando de bruxaria
e feitiçaria que veio tanto de Portugal
quanto de Espanha. Mas temos que lembrar
que ainda era uma religião que era
ligado muito à natureza e ela ficava
distante dos olhos da cidade, dos olhos
que julgavam, dos olhos que condenavam.
Aos poucos, a religião catimbó juremo
vai deixando as matas e vai vindo para
dentro das cidades, sendo feitos, né,
muito mais diretamente dentro de de de
residências e templos, né? E aí começa a
ser conhecida a Jurema de Mesá. E só pra
gente situar, todo esse fenômeno
aconteceu principalmente nos estados de
Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e
Rio Grande do Norte. E por que que o
Catimbó Jurema foi tão importante pro
Nordeste, gente? Porque e era o
catimboló jurema, que era a medicina dos
pobres, gente. Da mesma forma que você
encontra nos nos anos de 1600 e 1700 o
calundu aqui na Bahia e Minas Gerais. E
também encontra, né, já no século XIX, a
macumba do Rio de Janeiro, que exercendo
a mesma função, sendo a medicina dos
desvalidos. A palavra jurema vem do tupi
yurema e significa espinho fétido, uma
alusão clara aos espinhos que crescem na
árvore da jurema. Já a palavra catimbó,
ela não existe uma origem definida, né,
onde todo mundo concorda, mas a teoria
mais aceita é que ela viria dos termos
tupis, ka e timbó, onde kaá significa
mata, floresta.
E Timbó seria alguma coisa como morte,
sono profundo. Alguns poderiam até
entender como um certo trans. Então você
poderia entender que catimbó seria a
floresta que leva ao torpor, ao sono
profundo, ao transe, né? Eh, isso
claramente alusão, né? A bebida da
jurema, que é feita com as folhas e
cascas da Jurema, dá essa condição
inteógena na pessoa. E agora, um outro
efeito que a Jurema causa muito
claramente nas pessoas é uma vontade
doida deixar o like, pessoal. Pô, já
recebeu bastante informação nesse vídeo,
tá? Fora o que vai vir pela frente.
Deixa esse like. Esse like só fortalece
nosso trabalho. Eu e a equipe somos só
gratidão. Mas vamos embora. Continuando,
quanto à diferença entre os termos
catimbó e jurema, o termo catimbó está
associada a diversas práticas de magia e
de ritos religiosos em geral, assim,
típicos do nordeste do país, típico dos
indígenas daquela região. E a palavra
jurema, o termo jurema, estaria muito
mais ligado ao culto da árvore em si e
de tudo que circunda, de tudo que está
relacionado a árvore da Jurema, que a
gente vai ver os mestres da Jurema, né,
e todo mais esse universo da Jurema que
é muito grande. Agora eu vou falar uma
coisa aqui que é puramente do Márcio, eu
não li isso em lugar nenhum, tá? Para
mim, Jurema é o nome da religião e
catimbó seria a prática da religião
jurema sagrada. A gente pode colocar
dessa forma, né? E é interessante a
gente pensar dessa forma, porque assim
como na Umbanda, né, eh, nós somos
umbandistas, mas quem faz umbanda é
muitas vezes chamado de macumbeiro,
aquele que faz macumba, né? Eu posso até
fazer uma uma correlação entre os termos
macumba e catimbó. Na Umbanda, quem faz
umbanda faz macumbo, é a chamada de
macumbeiro. Na jurema, quem faz catimbó
é catimbozeiro. É engraçado que tanto o
termo macumba e macumbeiro quanto
catimbó e catimbozeiro são termos
ligados à magia negativa, a coisa ruim,
né? A como se fosse um trabalho feito
para prejudicar alguém. E isso não é
verdade, né, gente? Isso é somente o
preconceito falando uma coisa muito
interessante do catimbó jurema é que não
existe uma única forma de se praticar.
Existem famílias e linhagens e cada uma
realiza o rito, o ritual da Jurema,
conforme o seu próprio entendimento.
Você tem que entender que existem coisas
básicas que tudo que cada família faz é
parecido, né? Mas cada um tem a sua
personalidade, a sua característica.
Existem elementos básicos de conexão
para você identificar que é catimbó, mas
existem coisas específicas de cada
linhagem, de cada família. E só pra
gente citar, gente, isso é muito
interessante porque é muito parecido com
a nossa religião da Umbanda, né? Onde
não existe uma forma única de se
praticar Umbanda, uma vez que existem
muitas vertentes, muitas doutrinas da
nossa religião. Então isso é importante
a gente criar essa correlação, né?
Porque eh até porque tudo que eu tô
falando aqui pode ser que você já tenha
visitado um terreiro de catimbó Jurema,
tenha ido numa sessão de catimbó Jurema
e não esteja não seja muito parecido com
o que eu tô falando aqui, mas depende
muito da família, da linhagem e de quem
é o mestre Juremeiro. Lembrando que esse
termo mestre juremeiro, né, ele pode
identificar
tanto uma entidade importantíssima da
Jurema, como a gente vai ver logo a
seguir, como também pode identificar
aquele como seria o pai de santo da
Umbanda, o sacerdote Umbanda, aquele que
guia o terreiro de Catimbó Jurema, como
se fosse o pai de santo, também é o
mestre juremeiro. Mas vamos falar um
pouquinho sobre as entidades do catimbó
jurema. Você pega o Catimbó de Orema,
você vai ver que existe a presença do
santo católico, existe também os termos,
os nomes dos orixás, né, e também de
entidades, mas eles entendem todo esse
universo de entidades que que incorporam
como encantados. Isso é muito importante
nós entendermos o que que é um
encantado. Existem duas correntes de
pensamento. Uns dizem que os encantados
são espíritos que nunca encarnaram. Um
caso muito clássico é o boto
cor-de-rosa, que é o encantado, né?
Existem outro nome de boto que eu não tô
lembrando agora, mas os botos eles
quando tão na água são botos, eles saem
em determinados momentos do ano e se
transforma num homem muito bonito e que
vai tentar buscar mulheres para para ter
relações. Mas o o Boto, ele nunca viveu,
ele nunca encarnou, ele não teve vida na
Terra, ele não tem uma vida dele, ele é
um espírito da natureza, assim como
também tem entidades que eram que eram
cobras, a Giibóia e a Sucuri também são
são eram são seres da natureza que se
transformam em cobras. Então esse
universo encantado pode ser, nessa
primeira teoria de seres que nunca
encarnaram, nunca tiveram vida na Terra.
Mas também existe outra teoria onde
muitos mestres da Jurema foram seres que
viveram aqui na terra e que viveram
através da Jurema, praticando a Jurema,
ajudando pessoas, curando pessoas
através das forças da Jurema, através
das ervas, das cascas, da natureza em
si. E quando e sobre determinadas
situações teriam que ter morrido debaixo
de um pé de jurema e daí ele não morria,
ele se encantava. É como se o espírito
dele, o corpo dele físico desaparecesse.
Ele não virava um espírito, ele virava
um um ser encantado. Aí sim ele vai
poder trabalhar diretamente com as
forças da Jurema, com a sabedoria e a
ciência da Jurema para poder ajudar as
pessoas aqui na Terra. Então é um pouco
diferente do que a gente vive na
Umbanda, porque aqui para nós todos os
espíritos que estão e incorporados já
tiveram uma vida na Terra. No Catimbó
Dinema não é bem assim. Mas vamos lá,
vamos falar um pouquinho das principais
linhas do catimbó jurema. Cabôclos e
caboclas da jurema, espíritos de
indígenas ou de mestiços
que trabalham com as forças das ervas,
com as forças das raízes, com as forças
de frutos e frutas e também trazem
consigo o culto a deuses indígenas,
casos bem clássicos como eh Jaci e
Guaraci, né? Guaraci seria o sol, Jaci
seria a lua, mas eles trazem também todo
esse universo para dentro da Jurema.
Lembrando também que os normalmente os
cabôclos são os primeiros espíritos que
incorporam numa sessão de jurema. Claro
que depende da família e depende da
linhagem. Mestres e mestras da jurema,
guias espirituais sábios. A gente fala
guia espiritual, gente, mas tem que
entender que é no dentro do conceito de
encantado, tá? que eh tem muita força,
trabalham muito com cura e com magia.
Lembrando que os mestres e mestras da
Jurema são realmente a classe de
encantados ou de entidades mais
importantes da religião. Entre esses
mestres podemos citar mestres
boiadeiros, marinheiros, boos, ciganos,
mestras parteiras, rezadeiras,
feiticeiras, entre tantos outros. Reis e
Rainhas da Jurema, entidades ligadas à
realeza encantada.
Até porque, gente, a gente vai falar um
pouco sobre essa cidade espiritual
chamada Jurema. E ela tem um rei e uma
rainha, mas não é só isso. Existem
muitos reis e rainhas, né? A gente pode
citar aqui o rei Tupinambá e a rainha
Jurema, por exemplo, tá? Mas, por
exemplo, um nome muito forte dentro da
Jurema Sagrada é o rei Salomão, que tá
inclusive em inúmeros pontos cantados da
Jurema Sagrada. Pretos Velhos.
espíritos anciãos africanos ou
afrodescendentes. Gente, é igualzinho o
nosso preto velho aqui, tá? Da Umbanda.
Guardiões guardam os portais sagrados e
os fluxos de energia. É importante
dizer, gente, que normalmente
não se manifestam exus e pombairas na
jurema, mas existe esse conceito de
direita e de esquerda. Esquerda sendo
uma energia mais pesada, que seria
excelente para defesa e quebra de
maldade, né? Mas quem exerce esse papel
de esquerda são alguns mestres
juremeiros e alguns guardiões. Lembrando
mais uma vez que os mestres e mestras da
Jurema ocupam um lugar de destaque na
religião catimbó jurema. Uma coisa
bacana, né, gente? Perceba, olha quanto
tempo nós nós temos a o catimbar jurema,
né? E a gente já percebe claramente que
os cabucos de pretos velhos já eram
incorporados nessa religião, assim
também como boiadeiros, marinheiros, né?
Foram coisas que foram se assim como
aconteceu na Umbanda, aconteceu no
Catimbó Jurema, foram falanges, foram
entidades que foram se eh sendo
adicionadas com o passar do tempo. Mas
só pra gente deixar isso claro, não
deixar passar batido, né? Vamos falar
agora sobre elementos sagrados. Gente, o
maracá, que é aquele chucalinho de mão
que o índio usa, tá? Ele é fundamental
tanto para invocar entidades, tanto que
se você for no YouTube aqui e verif ver
vídeos de sessões de Uurema, muito, todo
mundo tá com um chocalinho desse
chacoalhando e cantando pontos. Ajuda a
trazer, a invocar as entidades. Também
poderá ser utilizado o maracá por uma
entidade incorporada, um cabôlo, até
mesmo um mestre juremeiro. Mas o maracá
tem uma função muito importante e é
muito presente nessa religião. Os
terços, terços, né? aquela coisa de
bolinhas, né, da Igreja Católica com
crucifixo na ponta, né, que os pretos
velhos não banda, usam muito, né, para o
catójoremo, o terço é muito importante,
só que ele é visto de uma forma muito
diferente
do do que a Igreja Católica cultua, né?
Mas você pode usar o terço também para
rezar, como os católicos fazem, mas além
dessa coisa da reza, o terço também pode
ser usado como um tipo de de guia e de
proteção, sendo usado tanto pelo médium
quanto pelo guia. Agora, os cachimbos
utilizados na região do catimbó jurema,
principalmente utilizados pelos mestres,
tá? Ele é uma fonte de enorme poder. São
usados para defumações, benzimentos e
consagrações, né? É interessante que o
mestre da Jurema, normalmente ele vai
usar, ele não usa fumo, tabaco, né? As
verdade é o que ele fuma aqui são ervas
preparadas. Pode ser que cada mestre
tenha o seu conjunto de ervas que ele
queira queimar aqui dentro do cachimbo.
Pode ser um fumo que que é um fumo mais
feito de ervas do que de tabaco
propriamente dito. Aquilo é fumado.
Quando um mestre vai atender uma pessoa,
ele vira o cachimbo, né, e sopra aqui e
a fumaça sai por aqui e ele vai
defumando toda a pessoa com a fumaça e
tudo que ele faz é através da fumaça.
Essa parte da fumaça do cachimbo é muito
importante. Cachimbo no catimbójurema
também pode ser conhecido como é como
pelo termo marca. A marca do mestre é o
cachimbo do mestre e ele deverá ser
feito obrigatoriamente ou de madeira de
jurema ou de madeira da árvore de
angici.
Vamos falar também da mesa de jurema. O
que seria a mesa de Jurema, Márcio? Mesa
de Jurema seria o altar, onde estão
presentes ali imagens de santos
católicos, às vezes imagens de cabocos,
imagens de mestres, onde são colocadas
oferendas como flores, como charutos,
artigos de fumo, perfumes, frutas e
tantas coisas outras que são ofertadas.
Mas quando a gente fala mesa da Jurema,
a gente tá falando de altar da Jurema. E
no altar também está a coroa, a coroa de
Jurema, que é a coroa do mestre
Juremeiro, aquele que identifica
o o dirigente de Jurema, né, o sacerdote
de Jurema, a coroa do mestre Juremeiro.
E o símbolo mais importante da Jurema é
mesmo a árvore da Jurema, pois a árvore
da Jurema simboliza a ligação entre três
mundos. A copa da árvore da Jorema
simboliza o mundo encantado ou o mundo
espiritual. O tronco é o mundo material,
que é onde nós vivemos e as raízes são o
plano ancestral, né? Então, só para você
entender um pouco dessa dessa cosmogonia
da Jurema e o vinho da Jurema, né,
gente, que também é um símbolo, acho que
a árvore da Jurema é o símbolo mais
importante, mas o vinho da Jurema também
e é extremamente importante pro catimbó
Jurema, pois é. através do vinho, né,
que que os participantes, que que os
juremeiros tomam, né, as pessoas que
frequentam os membros de uma roça de
Jurema, de um terreiro de Jurema, quando
toma, que ele entre em conexão com os
mestres juremeiros. Lembrando que o
vinho são tomados pelos adeptos e também
pelos mestres eh incorporados, né? Os
mestres e mestres incorporados
normalmente também fazem a bebem o vinho
da Jurema. Só para nós entendermos como
o catimbó de Uriema tradicional, os mais
antigos pensavam, quando uma pessoa
adentra ao terreiro e se torna membro da
casa e começa a trabalhar e estudar e
tender e conviver com a Jurema, se ele
for para se tornar um médium de um
mestre, ele vai ter que esperar 7 anos.
Nesse nesse nesse sétimo ano existe um
dia que é marcado e daí essa pessoa ela
recebe vinho da Jurema e vai recebendo
doses até que aconteça o que eles chamam
de tombo. Tombo é incorporação com muita
força pelo mestre da Jurema pela
primeira vez em seu médium. E aí começa
a história daquele daquela pessoa que
vai trabalhar como médium dentro dessa
religião. Vamos lá, pessoal. Lembrando
mais uma vez, existem várias formas de
se cultuar o catimbó Jurema. Pode ser
que o que eu tô falando aqui não seja o
que você já viu. E só pra gente deixar
claro, existem já terreiros de de jurema
que já não usam mais o vinho da jurema.
Por exemplo, existem roças de catimbar
jurema que incorporam exusos e
pombageiras, mas isso tá pouco ligado à
tradição desse culto. Vamos falar um
pouco sobre nomes de mestres e mestras
da Jurema. Mestre Zé Pilintra, ó, seu Zé
Pilintra aí, ele começa com o mestre
Juremeiro, depois ele no Rio de Janeiro
ele se torna malandro. Mas inicialmente
Zé Pelintra era o mestre Juremeiro,
mestre Luiz, mestre Luiz ou Luiz da
Jurema, mestre Manuel, mestre João da
Mata, mestre Galdino, mestre Severo,
mestre Marinho, mestra Jandira, mestra
Lúcia, mestra Rosa ou Rosa da Jurema,
mestra Mariana, mestra Teresa, mestra
Simá e claro, né gente, mestra Jurema,
né? Porque essa essa essa encantada ou
essa entidade, como queira chamar, ela
carrega a essência dessa tradição da
Jurema Sagrada, né? Há uma coisa que eu
tenho que chamar que que me chama
atenção, que me desperta a curiosidade
de comentar, é o Zé Pilintra, que a
gente já conhece muito bem, né, aqui na
Umbanda, eh, esse termo, né, Mestre João
da Mata. Temos muitos pretos velhos na
Manda que se que incorporam e dão esse
nome, né, Pai João da Mata. E com
certeza ele está ligado originalmente a
essas manifestações
da Jurema. E a mestra Jandira que é que
a gente recebe cabra Jandira e a mestra
Jurema, que também na Umbanda recebemos
a Cabôla Jurema. Só pra gente criar essa
ponte aqui para nós entendermos um pouco
melhor. Agora vamos falar um pouco sobre
o que seria essa cidade da Jurema. Bom,
gente, cidade da Jurema também pode ser
conhecido como Juremá e é onde habitam
os mestres da Jurema e os seus
subordinados. Segundo a crença, o Jurem
seria composto por uma profusão, por uma
série de aldeias, cidades e estados, os
quais trariam uma organização
hierárquica, envolvendo todas as
entidades catimbozeiras, tais como
cabúclos da Jurema, outros encantados,
sempre sob o comando de um ou três
mestres da Jurema. Então, muita gente
fala que é assim, tá? Cada aldeia tem
três mestres. 12 aldeias fazem um estado
com 36 mestres. No estado há cidades,
florestas, rios, cachoeiras. E há uma um
pouco de divergência sobre quais seriam
os estados dessa nação Jurema ou Juremá.
Mas vamos lá, né? Alguns dizem que são
sete. Vajucá, tigre, Canindé,
Urubá.
Juremal, Fundo do Mar e Josafá. Segundo
alguns são sete, segundo outros são
cinco. Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e
Josafá. Bom, gente, agora você entende
quando a gente canta aquele ponto, né?
Vou abrir minha jurema, vou abrir meu
jurem. Por que que você tá falando nesse
ponto, né? Eu estou abrindo o portal da
cidade da nação de Jurema, para que as
entidades e os encantados possam vir a
terra para prestar o seu trabalho e nos
ajudar. Bacana, né? E afinal de contas,
o que que acontece exatamente dentro de
uma sessão de jurema? Cura, proteção,
orientação e magia encantada, trazida
pelas entidades e pelos mestres
espirituais. Agora eu pergunto para
você, você conhece alguma religião que
tem alguma semelhança que é parecida com
o Catimbó Jurema? Exatamente, galera. É
tudo muito parecido com a nossa Umbanda,
mas com aquele tempero nordestino, com
aquele tempero ancestral dos nossos
povos eh indígenas do Nordeste
principalmente, né? E certamente o
cartimbó de lema é uma das tantas formas
que nosso Deus criou para que a
espiritualidade pudesse chegar aqui à
terra para trazer bênção e milagres a
todos nós. E para mim, gente, tem muitas
diferenças entre o Catimbó Jurema e a
Umbanda, mas acho que a principal e mais
importante é exatamente a antiguidade.
Catimbó Jurema, de certa forma já
existia mesmo antes da chegada dos
europeus aqui em terras brasileiras. E é
por isso que eu gosto sempre de chamar o
catimbó Jurema como a tataravó da
religião de Umbanda. Salve a Jurema
Sagrada. Salve a Jurema santa e sagrada.
Galera, quer mais? Coloca nos
comentários sua a sua opinião sobre o
vídeo. A sua pergunta é muito importante
para nós. Tem pergunta, coloca no
comentário. A equipe tá fazendo tá
varrendo, tá limpando, tá verificando e
separando o seu comentário para ele ser
respondido nos programas de segunda,
quarta e sexta, que são os PTDs e o
comentando comentários.
Eu acho que valeu o seu like, né,
galera? Pô, deixe esse like, tá? Que
valeu muito a pena. E também não deixe
de se inscrever aqui no canal. estão
abertas também, gente, ainda agora é
para valer. A última vez que eu vou
falar esse ano sobre isso. Eh,
fundamentos para o sacerdócio. Ainda
temos poucas vagas abertas, não sei nem
se é bem pouquinha mesmo, tá, gente?
Então, entra em contato com o Nton aqui
pelo Qcode ou desce no primeiro
comentário fixo, né? Acessa esse link,
responde, né? O formulário da enviar vai
ser direcionado pro WhatsApp do Newton
Sombra, que vai ter o maior prazer em
responder e você já conhece todos os
benefícios, né? O curso já começou se
você quiser ainda dá tempo, mas tem que
correr. Eu peço me permita ser o seu pai
espiritual e me dê a honra de ser o seu
professor. Pessoal, não esqueça do
espaço e membros que tem muita coisa
bacana, muita coisa legal, muito mais à
vontade do que eu faço aqui no canal
aberto, tá? Inclusive temos lives
fantásticas. Tudo por R$,99. Vem fazer
parte da família membros. A gente só tem
gratidão. Você sabe o que eu quero? Eu
quero que você fique de boa.
Salve todas as forças de Umbanda, salve
todas as forças do Catimbó Jurema. Eu
peço nesse momento a todas as forças
dessas religiões benditas que derram
benção sobre a pessoa que assiste esse
vídeo nesse momento e transmita a ela
todas as as virtudes, as forças, as
bênçãos de saúde e proteção, paz, luz e
prosperidade. Que ela tenha sempre a
presença de suas entidades espirituais.
Que a Julia me umbanda possa abençoar a
todas as pessoas, levando todos ao
caminho da felicidade. É isso aí,
galera. Espero ter pago minha dívida,
porque o vídeo acaba aqui. Que o Chalá
te abençoe. Até a próxima.
[Música]
เ
[Música]
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