AFORISMO #027 - O EQUILÍBRIO DA ALMA | Prof. Dennys Xavier
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Olá, meus amigos. Tudo bem, gente?
Espero que sim. Sejam bem-vindos de
volta a mais um aforismo para efêmeros.
Muito obrigado por estarem aqui. Espero
que vocês estejam em paz. Hoje, dia 27
de janeiro, com o nosso 27º aforismo.
Comentei ontem, né? Daqui a pouco a
gente já tá passando pro volume dois,
eh, que, pô, infelizmente, né, por conta
de prazos de entrega, essas coisas, vai
acontecer mais ou menos como o primeiro.
Ele vai chegar para vocês um pouquinho
atrasado em relação ao mês no qual nós
faremos as leituras, mas ele chegará.
ele chegará e já estamos fazendo de modo
que o terceiro chegue um pouquinho antes
da leitura do mês de março e assim por
diante. Eu tô acelerando com a editora
o processo de composição
das, né, esse processo de editoração,
etc, etc. Exatamente. Para que a gente
tenha um tempo maior, uma gordurinha de
tempo para sempre chegar antes para
vocês. Mas não se frustrem. É assim
mesmo. As coisas nem sempre saem
exatamente como nós gostaríamos que elas
fossem. E aí é preciso ter aquele aquela
inteligência histórica para lidar com
essas coisas da melhor. Como se também
fosse um problemão, né? Nossa senhora,
meu livro vai atrasar uma semana e o meu
mundo caiu, né? Não é trágico, mas é só
para a gente ter. Eu tô falando isso
para vocês, mas muito mais para mim,
porque eu fico também aqui me segurando
para ter os filhotes em mãos. Pois bem,
hoje falando sobre o equilíbrio da alma,
é o título do aforismo,
no qual eu digo: "O equilíbrio da alma
nasce quando a razão deixa de lutar
contra o mundo e começa a ordená-lo de
dentro.
Esse aforismo me é muito caro
e para variar,
ele evoca ensinamentos
que nós encontramos já entre os
primeiros gregos. Só para variar um
pouquinho, né?
Quando você pega lá as primeiras
manifestações de filosofia
pré-socrática, por exemplo, já existia
uma correlação
entre três elementos fundamentais: o
cosmos, entendido como um todo, a
cidade, a pólis e o indivíduo.
Em Platão, essa correlação é elevada à
máxima potência e depois ela muito bem
explorada também por Aristóteles
e por outros filósofos do mundo tardo
antigo.
Essa correlação existente entre a ordem
interior do sujeito, a ordem da cidade e
a ordem cósmica. Aqui me interessam dois
elementos fundamentais,
porque às vezes nós estamos buscando a
ordem lá fora.
Nós estamos buscando a justiça lá fora,
a beleza lá fora.
Só que frequentemente nós não entendemos
que antes de estar lá fora, ela tem que
estar dentro. Essas coisas tem que estar
dentro.
Sujeito que é uma cidade justa, ele quer
viver numa cidade não violenta, mas ele
é violento, ele é injusto. Ele quer
viver numa cidade minimamente
organizada, mas o interior dele é
absolutamente exótico em desorganização.
As partes internas dele, e obviamente eu
não estou falando de elementos físicos,
eu estou falando de questões de
intelecto, estão todas desordenadas.
Nós temos,
ah, eu vou falar assim, eh, viver para
mim tem sido uma um constante exercício
de superar frustrações
com tudo que eu vejo aí fora. Eu faço um
exercício diário
de sacerdócio intelectual,
tentando levar uma reflexão que seja
útil para todos nós e para que deixe aí
um legado, quem sabe, possa interessar
alguém. As pessoas imaginam
que, por exemplo, escolhendo líderes que
são
ou mais agressivos ou falam coisas
erráticas e não sei quê, não. Nós
precisamos é de gente assim. Nós
precisamos de um certo grau de desordem.
Nós precisamos de uma gente meio que
diga aí o que vem na cabeça, etc., etc.
E vocês acham que um mundo ordenado, que
um mundo ético, que um mundo belo, que
um mundo racional vá derivar de gente
assim?
Isso é psicopatia.
Não tem que votar num cara meio louco
mesmo, porque é limpa trilho, né? Você
vota num cara meio louco, ele faz
loucuras, aí depois você reclama porque
ele fez loucuras.
Oi, cara, tudo bem?
É relação de causa e efeito, pô. É em
relação de causa e efeito. Que que foi,
Bom dia para você também. Como
é que você tá, cara? Aí, você falou bom
dia pra galera ali, ó.
E paixão grude,
tudo bem? Eu não posso continuar aqui.
Eu tô, não sei se você viu, mas eu tô
num momento aqui difícil.
Tá bom, eu te amo também. Tá bom, eu te
amo também. Mas vai lá. Eu preciso, eu
preciso terminar aqui de falar porque
senão o pessoal não vai fazer as coisas.
Essa, inclusive eu falo aqui, é a noção
platônica de justiça, cada coisa
ocupando o seu devido lugar. Eu preciso,
eu preciso guardar em mim
um certo aspecto de ira,
mas a ira não pode me dominar.
Eu tenho que guardar em mim
hoje. Aqui tá o mundo animal, né? Oi,
Didico, tudo bem? Cadê você? Bom dia.
Eu eu tenho que ter dentro de mim um
aspecto, Platão diria, de um certo
respeito pelas coisas materiais.
Ontem nós falávamos da beleza, do senso
estético, da do que é material, etc.,
etc. Tudo bem,
mas eu não posso ser conduzido
estritamente por isso.
Eu preciso que as coisas ocupem os seus
devidos lugares. Denis, mas quando é que
você precisa de ira?
Quando eu vou para um enfrentamento,
imagine um guardião, diria.
Imagine um guardião, diria Platão,
sem uma certa dose de ira.
Só que um guardião, ele não pode
responder com com ira a tudo.
Ele tem que estabelecer um controle
racional sobre a ira dele. Ele não pode
ir pra batalha dizendo: "Eu vou, eu vou
batalhar agora, eu vou matar os inimigos
e tirar sangue deles." Não, o cara tem
que pilhado. Mas ele vai pilhado, mas o
cálculo racional, ó, eu vou por aqui,
então eu hã, as coisas estão
organizadas. Aí eu quero morar num
bairro no qual a vizinhança seja
agradável, etc, etc. Eu sou o primeiro a
meter um funk 7 da manhã
na cara do do vizinho e quero que
entende, se eu tô desorganizado
internamente, eu não consigo organizar
externamente.
Em nota, eu digo, a serenidade é
domínio.
Não se trata de apagar o movimento
interior, é, trata-se de dar direção ao
movimento interior. Não é você se anular
enquanto sujeito. Ah, você tá querendo
que eu seja um ser esvaziado. Não,
filho, só organização. Qual você
organiza um quarto,
as coisas organizadas internamente. Se
você é um sujeito que se deixa dominar
pelas paixões, se você é um sujeito que
se deixa dominar pela ira, se você é um
sujeito que se deixa dominar pela
materialidade, não, eu a vida para mim é
fazer dinheiro, cara. Sua vida é uma
desgraça,
porque nem livre você é.
Quanto mais dinheiro você tem, mais
dinheiro você vai querer. E para isso
você vai ter que fazer uma série de
concessões, uma série de atribulações
que só existem para quem vive para isso.
Ah, você tá dizendo que dinheiro não é
importante? É na justa medida. Cuidado,
porque essas coisas podem te consumir,
tá?
Essas coisas podem te consumir. Elas
podem te levar para um lugar muito ruim.
Não se trata de apagar o movimento
interior, mas de dar-lhe dar-lhe
direção, colocá-lo em seu devido lugar,
como na noção de justiça em Platão, as
coisas no seu devido lugar.
A alma equilibrada não é fria, é sábia.
Sua paz não vem da ausência de conflito,
mas da presença constante da razão que o
governa, que o organiza, melhor dizendo.
Na repercussão, eu digo, os antigos
chamavam de sabedoria o estado em que a
razão governa as paixões.
Para os estóicos, esse governo não era
repressão, era entendimento.
A emoção é boa quando segue o juízo
correto e a desordem quando nasce do
erro.
O equilíbrio da alma, portanto, é uma
conquista intelectual, não um domico.
Epiteto dizia que nada pode perturbar o
homem, a não ser as opiniões que ele tem
sobre as coisas.
E Marco Aurélio acrescentava: "Ama
torna-se da cor dos seus pensamentos".
A alma tem a cor dos seus pensamentos.
Então, se você pensa de forma
desorganizada, se tudo em você chega de
maneira
desajustada,
se você responde de forma iraível aos
estímulos do mundo,
é, é, essa é a cor da sua alma.
E é o que você pode oferecer ao mundo.
Um sujeito adoecido internamente
não pode oferecer saúde à sua pólic, ao
seu bairro, à sua casa.
Essa harmonia interior é o resultado de
uma educação da mente.
A razão aprende a distinguir
o que depende de nós e o que não depende
e concentra sua energia apenas no
primeiro.
É assim que nasce a serenidade da
disciplina do julgamento. Isso aqui é
muito históico, né?
faço aquela separação básica entre o que
eu domino, o que eu não domino e
trabalho no que eu posso. Então, antes
de resolver os problemas do mundo,
resolva-se internamente, minimamente.
Isso vai ser um elemento diário. Todos
os dias a gente tá,
às vezes eu tô aqui no fundo de casa ali
na área pensando, quer dizer, eu sou um
homem de 47, em abril agora eu vou para
48 anos e você começa a fazer conta de
quantos anos,
se a natureza permitir,
podem me faltar ou ou podem me sobrar.
E o que que eu faço com esse tempo?
Qual que é a melhor maneira de organizar
internamente para que eu projete um
tempo belo, racional,
organizado do que vem?
Onde que eu tô, gente?
Vou retomar o parágrafo. A serenidade é
o efeito natural da integridade
racional. O estado
em que não há contradição entre o pensar
e o agir, a alma desequilibrada vive do
conflito entre o que sabe e o que teme.
A racional vive em coerência,
em coerência com o que compreende.
Não há paz maior do que agir em acordo
com a própria consciência,
que é esse elemento sobre o qual eu já
falei aqui de integridade, né?
Quando eu penso,
falo e atuo em consonância,
é interessante que quando a gente
consegue minimamente esse equilíbrio, o
gasto de energia é muito menor, a
pacificação do sujeito é muito maior.
O equilíbrio da alma, portanto, não é um
estado passivo,
é uma forma de força, o repouso de quem
domina a si mesmo.
O homem sereno não é o que nada sente,
é o que sente sem perder o eixo. Não dá
para passar uma vida anestesiado,
né, não enfrentando uma série de
problemas,
mas é sentir sem perder o eixo e
examinando sempre o que eu posso fazer a
respeito disso da melhor maneira
possível a partir de uma organização
interior. Cara, essa é uma baita
pergunta boa.
Então, trabalha internamente.
A razão não o isola do mundo, apenas o
coloca acima do acaso, livre, no
interior do que é estritamente
necessário.
Quanto ao resto,
resto não cabe a mim.
Então eu tô aqui, organizo primeiro, me
organizo primeiro internamente, depois
eu organizo o meu microcosmo.
Não é isso? alguém. As pessoas falam
muito daquela reflexão do Jordan
Peterson, né, sobre arruma a sua cama,
arruma o seu quarto, etc. Mas isso é,
tava na filosofia antiga, pré-socrática.
Eu quero uma casa organizada, filho.
Você é o caos internamente.
Você nem consegue se organizar p que
dirá sua casa.
Sua casa vai ser uma expressão do caos
de alguma maneira, né? Toda hora você
vai querer fazer um negócio diferente.
Aí você vai você faz um negócio num dia,
no outro dia já não prestou mais. Porque
não é um problema da casa, é um problema
que tá dentro, né? Você você nem se
resolveu internamente, você nem sabe que
que exatamente você queda sua vida
minimamente.
Beijo muito carinhoso para vocês. Dando
tudo certo, amanhã nós estamos aqui com
mais um aforismo para efêmeros. Foi um
baita prazer em pé.
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